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sábado, 1 de janeiro de 2022

Resenha: 108 Contos e parábolas orientais - Monja Coen

 



Eu gosto muito da filosofia Budista e sempre estou lendo a respeito. Comprei o e-book do "108 Contos e Parábolas Orientais". Amei! Devorei! É uma leitura super gostosa, flui, é como se a monja Coen estivesse conversando com o leitor, e apos cada conto ela nos traz um conselho, uma reflexão, uma palavra de sabedoria.
Você não precisa ser budista para ler esse livro e nem um simpatizante, precisa apenas querer ser uma pessoa melhor, se aprimorar como ser humano.
São 108 contos e parábolas, todas muito bem explicadas pela Monja. Eu adorei.
Paguei R$12,00

Resenha: A Sutil Arte de Ligar o F*da-se - Mark Manson

 


" A certeza é inimiga do crescimento"

Vou contar pra vocês que quando eu vi esse livro nas livrarias, eu pensei: Hummm esse livro deve ser mais um auto ajuda como tantos por aí...
Mas ai eu comecei a ver um monte de gente lendo e gostando...minha irmã leu e adorou...ai comprei o e-book (paguei R$13,00).
Eu adorei! Me rendi a ele! Postei algumas frases no instagran do blog, no FB e muita gente se interessou também. Na verdade ele não é auto ajuda não, ele é auto realista *rs, ele te dá vários exemplos e choques de realidade de que você é quem faz a sua vida, você é responsável por tudo o que acontece com você, mesmo que não seja o culpado por elas.

"Quando você passa a se sentir confortável com toda a merda que a vida joga na sua cara (e ainda vai rolar muita merda, pode acreditar), você se torna invencível, num sentido levemente (bem levemente) espiritual. Afinal de contas, o único jeito de superar a dor é aprender a suportá-la.”

Eu amei a parte que ele fala sobre as referências, me dei conta de que tudo na vida é referência! Ele conta diversas histórias de vida, as vezes dele mesmo, as vezes de artistas como Ringo Star, Dave Mustaine, Buda e por ai vai.
A linguagem usada no livro é "mara", porque na verdade é como se Mark estivesse conversando com você o tempo todo, contando as experiências dele, e te dando conselhos, falando sobre a vida...vi essa leitura como um bate papo com um amigo.
Acredito que Mark Manson tem um dedo no Budismo, pois muitas das suas filosofias pairam sobre os preceitos dessa filosofia de vida, como a aceitação, sofrimento é inevitável, viver o hoje, e por ai vai.

"Se o sofrimento é inevitável, se os problemas da vida também são, a pergunta que devemos fazer não é "Como paro de sofrer?", e sim "Pelo que estou sofrendo? Com que propósito".


O mais importante é que ligar o f*da-se não é não se importar com nada, e sim, se importar apenas com o que realmente importa, a vida é curta, você precisa parar e refletir o que é importante pra você.

Resenha: Pequenos Incêndios por Toda Parte - Celeste Ng

 

"Às vezes, quando você acha que tudo está perdido, encontra uma saída ...É como um incêndio florestal; Eu vi um, anos atrás, em Nebraska. Parece o fim do mundo. A terra fica toda queimada e preta, e todo o verde some. Mas, depois de queimar, o solo fica mais rico e coisas novas podem crescer ali...As pessoas também são assim, sabe? Elas recomeçam. Dão um jeito." pág. 363


Já vou logo avisando: Amei esse livro!
Eu não conhecia a escritora Celeste Ng, mas vi tanta gente falando bem dela, que me interessei. Comprei e amei.
"Pequenos Incêndios por Toda Parte" é um romance de muita sensibilidade! É sobre relações humanas, sobre maternidade, sobre esses sentimentos que mantemos dentro do coração e eles explodem causando pequenos incêndios nas relações e nos obrigando a recomeçar.

As personagens são vítimas de suas escolhas, e quais escolhas estão certas? Existe um jeito certo ou errado? Seguir regras é o correto? Viver baseado nas emoções é errado?

Todos nós temos segredos muito bem guardados e quem somos para julgar o próximo? Mas mesmo assim quantas vezes nos vemos no direito de julga-los.

Mia é uma fotografa, que não consegue se manter apenas de sua arte e vive nômade com a filha Pearl, trocando de emprego e de casa.
Pearl é uma garota inteligente, sensível, que não conhece o pai. Elas alugam um pequeno apartamento da familia Richardson, que por sua vez são uma família exemplar em Shaker Heights, uma comunidade que preza pelo planejamento e pelas regras.
Elena tem 4 filhos, Trip, o atleta, Lexie, a patricinha, Izzy, a perturbada e Moody o nerd. E em pouco tempo os quatros se encantam com Mia e Pearl, no entanto Mia tem segredos em seu passado e a adoção de uma menina sino-americana desencadeia a ira de Elena, que tenta descobrir tudo sobre Mia.

Adorei como Celeste separa um tempo para nos contar sobre o motivo que Elena tem problemas com Izzy, por exemplo, como a escritora sempre mostra pro leitor as duas partes de um mesmo problema. As ações nesse livro ocorrem de forma lenta, são mais de 420 páginas, mas que me deixaram agarrada a ele. A escrita é de uma sensibilidade ímpar, não dá pra não se emocionar com a estória de Mia, com Izzy, e até mesmo de Elena. 
Ninguém é o que é a toa...todos temos desejos ocultos e reprimidos...

O livro traz a tona a questão da maternidade. O que é necessário para ser considerado mãe? Quem cria? Os laços genéticos? Há uma grande discussão sobre isso.

Recomendo muito a leitura! Paguei R$49,00

Resenha: O Fundo é Apenas o Começo - Neal Shusterman

 

"A luzinha do "check-up do cérebro" se acende de muitas maneiras, mas essa é a parte problemática: o motorista não pode vê-la. É como se ela estivesse posicionada no porta-copos do banco traseiro, debaixo de uma lata vazia de refrigerante que já está lá há um mês. Ninguém vê a luzinha, a não ser os passageiros - e só se estiverem procurando, ou então quando ela fica tão quente e brilhante que derrete a lata e incendeia o carro"pág. 97

Conheci esse livro pelo Skoob, li várias resenhas positivas e fiquei muito interessada.

"O Fundo é Apenas o Começo" relata um período da vida de Caden Bosh, onde ele começa a manifestar os primeiros sinais de transtornos psiquiátricos. Até os quinze anos ele era um menino comum: ótimo aluno, bom filho e irmão, mas aos poucos ele é tomado por pensamentos obsessivos, fugas da realidade, mania de perseguição; por esse motivo, as primeiras sessenta páginas podem parecer um tanto confusas ao leitor desavisado, pois os primeiros capítulos contam uma viagem mirabolante de Caden num navio pirata, com um capitão cegueta e um papagaio conversador. O livro é sempre dividido entre a realidade e os episódios da doença.

Aos poucos Caden começa a perder os amigos, a perder o interesse na escola, a perder o senso de realidade.

Uma coisa que me preocupou é que demorou um certo tempinho para os pais perceberem o que acontecia com o garoto, isso serve até de alerta para nós, pais e mães, pois como diz o trecho que separei e transcrevi lá em cima, a própria pessoa não percebe que esta com problemas, tem que ser alguém que esteja perto e atento para perceber. 
Depois que a família entendeu os sinais, agiu rápido e esteve junto de Caden sempre, ele teve todo o apoio e isso é tão bonito! Foi realmente algo real!
Eu confesso que fiquei bem abalada lendo, esse livro é uma experiência para o leitor sentir e se infiltrar na mente de Coden, "O Fundo" é um livro que me tocou fundo, me emocionei, me sensibilizei com o protagonista. Eu já tinha lido "Tartarugas até lá embaixo" do John Green que também relata um adolescente com transtornos psiquiátricos, no caso TOC, e em ambos os casos, as doenças são reais, pois o filho de Neal tem esquizofrenia e todas as ilustrações que constam no livro são dele, assim como Green tem TOC.


"Mil pensamentos me passam pela cabeça, mas não os sinto como se fossem de fato meus. São quase como vozes. E me dizem coisas /.../ Os pensamentos-vozes dizem que devo fazer coisas. "Vá arrancar os cabeçotes dos sprinkles do vizinho. Mate as cobras"..."Esta vendo o bombeiro que vive mais adiante da rua?...Na verdade, é um terrorista que faz bombas caseiras, Pegue com caminhão dele, saia dirigindo e se jogue no penhasco..." pág 95

Recomendo muito essa leitura. É um livro para ser lido com calma e refletido.

Resenha: Estamos todos completamente transtornados - Karen Joy Fowler

 

"Se algum dia eu tivesse imaginado que seria mais importante sem a presença dela constantemente chamando a atenção de todos, eu sinto o oposto...Um dia, toda palavra que eu dizia constava como informação, dados de pesquisa, e era registrada com cuidado para posteriores estudos e discussões. No outro, eu era apenas uma garotinha, um pouco estranha, mas sem nenhum interesse científico para qualquer pessoa" pág. 122



Já nas primeiras linhas de "Estamos todos completamente transtornados" conhecemos Rosemary Cooke, uma mulher de 22 anos, estudante universitária, que sem saber o motivo perdeu sua irmã Fern  e seu irmão mais velho Lowell é procurado pelo FBI. Seu pai é psicólogo/professor e a mãe sofre de depressão. Diga-se de passagem que essa estória começa do meio, pois a mãe de Rose, para encurtar as ladainhas da filha, sempre a mandava começar do meio o que quer que fosse o que ela tinha que contar.A garota em sua infância era feliz e tagarela, hoje ela mal fala, e aos poucos vamos entendendo o motivo.O tema central desse livro é a causa animal, lá pela página 88 descobrimos que Fern é uma chimpanzé. E acho que essa é a parte mais bonita do livro, pois Rose a considerava uma irmã e não um animal, o que nos humaniza são os sentimentos e Rosemary ama Fern, nunca achou estranho uma macaca ser da família, em certo ponto ela mesma diz que ela era uma menina-macaca, mas que Fern era uma menina comum.
Fern desde 3 meses de idade mora com os Cooke. O pai delas é professor  de psicologia comportamental e as duas são o alvo das pesquisas que ele faz. Até que  um belo dia Fern desaparece e 
ninguém na família fala mais sobre ela. A mãe entra em estado de depressão profunda, mas todos fingem que nada acontece. Até que Lowell foge de casa e um dia o FBI aparece na porta da casa o procurando.

No decorrer do livro todos os personagens vão sendo desconstruídos, a gente vai lendo e percebendo as fraquezas e até os absurdos que podem ser feitos em nome da ciência.Em certo ponto, eu achei que a leitura se tornou cansativa, alguns trechos desnecessários para o contexto da estória, um pouco de mais do mesmo....o que me desinteressou pelo livro, mas continuei para descobrir o que a escritora guardava para Fern.

Sobre o título: "Estamos todos completamente transtornados" era um jargão da mãe de Rosemary. Ela sempre falava essa frase. 

Paguei R$37,90

Resenha: Tudo o que nunca contei - Celeste Ng

 

"E a própria Lydia - o centro relutante daquele universo - todos os dias mantinha o mundo estável. Absorvia os sonhos dos pais, silenciando a relutância que fervilhava por dentro." pág. 163

Eu estou numa ressaca literária danada devido a essa leitura. Eu amei o livro! Ele mexeu muito comigo.

Lydia está morta, essa é a frase que já choca o leitor na primeira página. Aos poucos vamos conhecendo Marylin, a mãe de Lydia, Nat e Hannah, uma mulher inteligente e ambiciosa, que sonhava em ser médica até ficar grávida. James, o pai, um chinês nascido nos Eua, que sempre quis ser um homem cheio de amigos e influente.

Todas as expectativas frustradas desses pais caíram em cima de Lydia, uma garota de 15 anos, meio chinesa, meio americana, cabelos pretos e olhos azuis. Uma menina tímida e inteligente que o pai quer por todo custo que seja popular, e a mãe quer que ela seja tudo menos dona de casa como ela.
O corpo de Lydia é encontrada no lago perto da casa dos Lee, e a partir dai a estória e desconstrução dessa família ocorre.

"Agora ela pensava na mosca pousando delicadamente na poça de resina. Talvez ela a tivesse confundido com mel. Talvez sequer tivesse visto a poça. Quando enfim percebeu seu erro, era tarde demais. Ela se debatera, afundara e então se afogara" pág, 276

"Tudo o que nunca contei" é um livro extremamente sensível, com grande fator psicológico, que mexe com as nossas frustrações mais profundas e nós mostra o que elas podem fazer em nós, e em quem nos cerca.
O preconceito que os Lee sofrem, a culpa que James sente por ser chinês  e por fazer seus filhos sofrerem esse buillyng numa sociedade extremamente preconceituosa, os desejos de Marylin em ser uma profissional de sucesso, a solidão de Hannah, a relação fraternal e confidencial de Nath com Lydia, isso tudo me envolveu muito, e fiquei emergida nessa estória que poderia ser de qualquer um de nós.
Hannah é uma menina tão especial e tão abandonada, ela é tão atenta àquela família mas é tão deixada de lado, que me emocionou. A solidão é outro assunto bem desenvolvido, solidão de James, de Lydia...de toda essa família que é vista a margem da sociedade só por ser chinesa.
Jack é a prova que nem tudo o que vemos é o que é. Que não conhecemos uma pessoa só pelo o que achamos dela.
O título fala por si só, é tudo o que Lydia poderia ter dito, ela sofre calada, fazendo tudo por essa família, tudo para agradar a mãe, deixando até seus desejos em segundo plano.

O final é lindo! É uma tentativa de libertação dos medos e das amarras.

Paguei R$32,90

Resenha: O Colecionador de Memórias - Cecelia Ahern

 

"É porque, assim como a (bolinha de gude)  enluarada, você pode ver seu fogo ardendo por dentro, e isso, em qualquer pessoa ou qualquer coisa, é algo notável, para se guardar e preservar, pegar para observar, quando você sentir necessidade de se revitalizar, ou de se tranquilizar, talvez, quando o seu brilho interior tenha esmorecido e o fogo que há dentro de você parecer mais uma brasa apagando." pág. 107


Eu li tantas resenhas positivas de "O Colecionador de Memórias" que logo que o  vi na livraria, comprei. Ele nos conta a estória de Fergus Boggs e sua filha Sabrina. Cada capítulo é alternado, um pela estória dela e outro pela estoria dele. Tudo começa quando Sabrina encontra umas caixas de bolinha de gude do pai, sendo que em 33 anos de existência ela nunca soubera que o pai gostava desse brinquedo. Estarrecida com essa descoberta, ela começa a procurar mais sobre a vida do pai e sobre duas bolinhas faltantes na coleção. Fergus tem 63 anos e está numa casa de repouso, pois teve um derrame e muito de suas lembranças estão bloqueadas.


"Mágoas criam raízes que se espalham, vão se alastrando, sorrateiramente, por baixo da superfície, tocando outras partes da vida dos que eles magoaram. Nunca é um erro, nunca é um momento, torna-se uma série de momentos, e cada um deles origina raízes que também crescem em direções diferentes. E, com o passar do tempo, isso se transforma numa velha árvore retorcida, estrangulando a si mesma, amarrando-se em nós" pág 133

No decorrer do livro vamos descobrindo sobre a infância de Fergus, o relacionamento dele com seus 6 irmãos, a perda do pai, sua relação com a mãe, os jogos de bolinha de gude, até conhecer a mãe de Sabrina, o casamento...ele não conseguia ser ele mesmo, a vergonha de sua origem, vergonha de ser quem era, de admitir que gostava das bolinhas de gude. Então ele tinha uma vida dupla e esse outro lado que a Sabrina tenta conhecer. Aos poucos ela vai descobrindo muito do pai nela mesma, muito dos problemas de relacionamento que ela tem no casamento dela são frutos do que ela viveu no casamento dos pais, ela se vê muito no pai.


Então, eu esperava um livro mais emocional, mais psiciologcio, mais intenso. Fiquei bem decepcionada. Li "O Livro do Amanhã" da Cecelia Ahern e gostei muito, li "P.S: Eu te amo" e confesso que preferi o filme..."O colecionador de memórias" ficou faltando uma empolgação, ela fala muito sobre as bolinhas de gude, sobre os jogos, o que cansa um pouco. A vida de Fergus é contada, mas falta emoção. No final surge uma mudança em  Sabrina que eu juro que fiquei sem entender o motivo.
Esperava mais.


Paguei R$39,90

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